mariscos e rabecas – 10/12/10

13 12 2010

hoje foi um dos dias mais interessantes, por dois motivos: por que participei como ouvinte de um curso da eco associação sobre maricultura, a criação de animais marinhos, que abordou especialmente o cultivo da ostra, depois, e principalmente, por que fui convidado para ouvir o seu zé pereira, senhor randolfo e seu arnaldo tocando um pouco.

E assim fomos eu e bruno em direção a casa do seu arnaldo, a um quilometro de onde se situa a sede do IPE de Ariri. Pedimos licença, entramos na propriedade e na casa de madeira, construida elevada a uns 50 centimentros do chão. Dois degraus para atingir o chão da casa propriamente dita. Feita inteiramente de madeira, um misto de diversas qualidades, da tradicional canela até o pinho.

A casa se localizava alguns metros para o fundo do terreno, e para se aproximar da estrada, o seu arnaldo e um mutirão de amigos a destruiram e reconstruiram mais a frente, assim ele, que já é um senhor, tem mais facilidade em ver quem se aproxima e se comunicar com seus visitantes, qdo o chamam no portão.

Depois de um pouco de conversa “de homem” (que significa que ficamos falando sobre um monte de assunto técnico q entedia a maioria das mulheres, tipo detalhes mínimos sobre a produção dos instrumentos e do som de cada madeira), eles iniciaram um ensaio, zé na rabeca, seu arnaldo na viola, bruno no cavaco, eu e seu randolfo na torcida, já que não tenho a mínima competencia e seu randolfo não está bem de saúde.

O fato da casa ser de madeira da uma sonoridade toda especial, especifica e diferenciada, cujo som interage de forma única lá dentro. Os instrumentos por si so já possuem uma excelente qualidade e um som com um timbre todo particular. Eles inseridos num contexto diferenciado, tanto psicológico quanto realmente físico, com aquela grande quantidade de madeira que absorve algumas ondas e vibra junto com outras, gera uma sonoridade dificilmente reproduzivel.

Entre as musicas, falamos sobre diversos assuntos, desde a raiz do sertanejo até a vontade de deixar o legado, a técnica de tocar rabeca, com alguem, já que é um instrumento de dificil lida e que poucos ainda dominam, ainda mais cantando junto, como faz o zé pereira.

Vale dizer que a rabeca é um precursos do violino, que é uma rabeca padronizada, com afinação e técnica mais rígidamente estabelecidas. Eu não peguei um afinador para constatar, mas acredito que haja uma variação razoável na afinação que eles utilizam, afinam os instrumentos todos juntos para não mudarem o tom, bem como pensando na forma que vão cantar, para que não dificulte o processo.

Eles mesmo chegaram com a idéia de gravar algumas sessões deles tocando, evolui o pensamento para um video com eles intercalando causos e musicas. Vamos ver o q sai deste mato!

Foram 40 minutos que eu ainda não consegui digerir adequadamente. Talvez escreva mais sobre esta experiência em um outro momento.

o curso de maricultura

Meu dia inteiro foi dedicado a um curso sobre a criação de ostras, um basicão para que as pessoas aqui de Ariri tenham a possibilidade de utilizar este cultivo como uma opção de renda. Uma equipe da ONG Eco Associação, parceiro de diversas entidades incluisve governamentais, veio para sondar e plantar a sementinha.

Eles discorreram sobre a situação dos rios que banham a região, muitos que passam por diversas áreas degradadas, mostrando que onde a mata foi retirada sem critério, ocorreu escorregamentos de terras bem como mudança na coloração da água, com posterior deposito de material nas curvas de rio, gerando tambem enchentes em diversas cidades.
Depois, eles discorreram sobre a biologia dos animais de interesse na maricultura, dos gastropodes, cefalopodes, camarões, siris, até os peixes.

Finalizaram com uma grande explanação sobre os métodos de criaçõa dessas espécies, com enfase nos mariscos, vieiras e na ostra.

O que as tres tem em comum é o fato de necessitarem de sementes. Deve-se colher a filhotada, as larvas, assim que elas se fixam, seja por meio de placas de PVC depositadas em determinadas áreas e profundidade (pra não ficar criando craca, sem querer) no caso das ostras, por exemplo. As sementes são colocadas no ambiente adequado e deixadas para crescer.
O criador deve manejar para que animais do mesmo tamanho se mantenham juntos sempre, retirando animais menores para que não sofram com a concorrencia por alimeno, se tornando refugo.

Os mariscos são criados em grandes cordas desfiadas, mantidas no mar com a ajuda de boias, que são ancoradas e mantidas por alguns meses.

Tanto as vieiras quanto as ostras são criadas em “gavetas” ou “lanternas” com 5 ou 10 andares, que podem ser afundadas ou elevadas até a profundidade desejada, da forma como for mais conveniente, pensando em crescimento, temperatura, salinidade, entre outros fatores. Só devemos lembrar que as vieiras são de água salgada, exclusivamente, bem como as ostras do pacificio. a ostra brasileira é de águas salobras.

A mensagem q achei primordial é: nunca invista numa coisa só. Se tudo estiver no peixe, se eles morrem vc fica sem sustento. Se vc tem uma criação de peixes, marisco, horta e trabalha qdo pode, sua subexistencia é mais tranquila. espero q esta mensagem seja passada pra frente.